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sábado, 6 de agosto de 2016

SIGÉTICA


Preciso falar com os tempos de minha própria existência
Dialogar com as peripécias de minhas escolhas
Fracionar as mais lucidas intenções que me assombram
Dicotomizar em meu ser o que preciso ser.

Mesmo que um silêncio de mim se comunique
Ainda que sem palavras se possam escutar
Temendo sim as coisas não ditas
Sussurrando as desvirtues impronunciáveis.

Quisera um dia dizer o que em mim tanto sufoca
Não sabendo distinguir, nem conceituar tal sensação
Pois no vazio das verbalizações muitas palavras escondem
Destes e nestes hiatos, eu existo.

Numa contemporaneidade adormecida em prolixidades
Descortina a amputação da narratividade
E, desta informatividade muda se escuta minha banalidade
Doce tristeza de uma sinergia sigética.

[por Vinicius Seabra | escrito no outono de 2015]

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

(RE)CONHEÇA-TE A TI MESMO


(re)Conheça-te a ti mesmo. Mesmo...
Mesmo que... não tenha capacidade de conhecer
Mesmo que... não entenda a diferença entre te e ti
Mesmo que... não haja mesmos
Mesmo que... seja você mesmo.

(re)Conheça-te a ti mesmo. Mesmo!
Vislumbre-te a partir dos seus atos, não das falas
Encontra-te onde nunca antes fora para buscar a ti
Exija-te fugir do transparecido, normatizado, enraizado
Perceba-te naqueles locais conhecidos e vividos.

(re)Conheça-te a ti mesmo. Mesmo?
Duvide de ti, não para desmerecer capacidades
Mas sim para estar aberto para o novo, o desconhecido.
Critique a ti, não para fragilizar sua interioridade
Mas sim para não supervalorizar quem eres longe de ti.
Tropece em ti, esvazie de ti, aquieta em ti.

(re)Conheça-te a ti mesmo

[por Vinicius Seabra | escrito no outono de 2015]

terça-feira, 22 de setembro de 2015

ANACRÔNICO


A felicidade é sempre um recorte do pretérito
É construir pontes com tudo aquilo que se foi
E vislumbrar a utopia daquilo que poderia então ser,
Mas que não se fez presente.

Nesta existência de ritmos cronológicos eu não me encontro.
Prefiro flutuar, divagar e desritmar quem eu sou
Pois afinal não sou tão linear,
Mesmo que em tudo em linhas pareço escrever.

O tempo não existe para resenhar o futuro,
Nem para desbravar o intocável passado,
Muito menos serve para compreender o presente.
Sou apenas, completamente, anacrônico.

Meu futuro está preso ao passado que viverei
Meu presente ainda vai ser escrito
E tudo aquilo que eu vivi vai se dar na atualidade
Existo numa incompletude temporal.

O tempo existe para que tenhamos espaço para produzir
O tempo existe para que tenhamos pressa
O tempo existe para que tentemos chegar longe
Por isto, quero apenas perder tempo.

Minha felicidade não está no tempo
Meu cativeiro poético não sucumbe à cronologia
Minhas lágrimas são livres para correr lentamente
Minha vida é um espetáculo com única apresentação pública.

[por Vinicius Seabra | escrito no outono de 2015]

terça-feira, 21 de outubro de 2014

NEOLOGISMOS


Novas palavras com possibilidades intermináveis
Novos significados se apresentam ao moderno
Novas possibilidades neologísticas infindáveis
Novas linguagens de um dicionário externo.

Mundo de criatividade linguística crioexistencional
Descobertas ortográficas dessilábicas
Surgimento de gramáticas abstratosférica
Comunicação moderna de relacionamentos antroposeres.

Liberdade para escritores descreventes.
Horizontes inacabáveis de ideias mutimultantes.
Pontes do saber de postulados des-conhecidos.
Céus com chuvas de palavras in-pronuncifráveis.

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

IGUAL


Igual é tudo aquilo que não se difere
Diferente é saber que tudo é muito igual.

Vãs repetições de canções distantes
Meros anões no pedestal do presente.

Para onde vamos não precisamos ser parecidos
Não carece de sermos disformes.

Apenas necessita ser
Igual a você, diferente!

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

SEMELHANTES


Semelhantes não são iguais
Iguais não existem,
Apenas há semelhantes.

Semelhantes se parecem
Parecer não torna igual,
Apenas se aproxima do que é.

Semelhantes, às vezes, se confundem
Confundir é sempre igual,
Apenas mais um erro semelhante.

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

sábado, 14 de junho de 2014

BORRACHA RIA, TAMBÉM


Que a porca ria eu sabia
O que me surpreende é saber que borracha ria
Até parece que todos nesta busca viveria.

Seriam a porca e borracha univitelinas
Ou será que é mera coincidência de grafia
Dispostas estariam num pretérito que sonharia.

Talvez a porca não mais ria
Quem sabe a borracha desistisse desta ria
Triste seria este ínterim que existiria.

Distantes todos parecem que ria
E assim como outrora juntaria
E borracharia ficaria.

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

terça-feira, 20 de maio de 2014

ESPONTANEIDADE


Não se vive em cativeiro
Não se aprende a pensar nas jaulas.

Não se estuda sem rascunhar
Não se cria sem imaginar.

Não se tem sucesso distante da pedagogia do fracasso
Não se percebe oportunidades quando em movimento.

Não aprisiona ao ser medíocre
Não tolera o previsível existente.

Não canta canções repetidas
Não escuta notícias dadas.

Não há antecedentes nem precedentes
Não há limites nem imites.

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

quinta-feira, 8 de maio de 2014

POR QUE TANTO PORQUÊS?


Por que existem tantas questões?
Talvez porque temos dúvidas
Por quê?
Quero saber o porquê disto!

Por que destes porquês
Se não temos por quê?
Haveria um por que de ser
Se não houvesse tantos porquês?

Por quê?
Teria um porquê
Por que deveria ter?
Porque isto explicaria tudo.

Por que por quê?
Porque porquê
Por quê?

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

segunda-feira, 21 de abril de 2014

DESPREZÍVEL


Nas margens da aparência ele se esconde
Dentro dos risos ele se destaca
Nas trevas ele não precisa fingir ser
Distante ele é tão feliz
Nas conversas ele é hábil aprendiz
Quem é você?

Na vida ele se envolve
Caminhos tortuosos ele sempre desvia
No silêncio ele escuta a si mesmo
Amigo de todos ele é, mesmo sem saber
Tudo ele faz para nada contender
Quem é você?

Desprezível ser que a todos conduz
Que nunca se olha no espelho
Previsível ser desprezível.

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

sábado, 5 de abril de 2014

PAZ


Discurso amigável de gente sofrida
Dores da alma de gente cansada
Sofrimento que afugenta o medo
Tolerância daqueles discriminados.

Gritos de esperança para gente perdida
Solavancos do amor intolerável
Terrível clamor de vidas desamparadas
Sonho distante de quem no tempo parou.

Existências de ínterim
Procuras perdidas
Lágrima só
Paz.

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

quinta-feira, 13 de março de 2014

SILÊNCIO


Há palavras que não conseguem ser exatas
Há momentos que precisam de mais
Há vidas que longe ficam.

Há choros esquecidos
Há magoas que não ressoam
Há barulhos indecifráveis.

Há tristeza amarrada
Há cânticos indecodificáveis
Há rimas nada rítmicas.

Há sons sem sentidos
Há perdas, então,
Há silêncio!

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

segunda-feira, 3 de março de 2014

MIRAGEM


Num mundo de realidades difusas
Com expectativas disformes
E verdades duvidosas
Sempre haverá os deformes.

Nesta jornada em busca do que se perdeu
Alguns acham um lugar para descansar
Mas, nem todos sabem o que se sucedeu
Vivem numa jornada de redescobertas acompassar.

Lugar para todos sei que há
Mesmo que de lá poucos ousem fazer ancoragem
Seria o paraíso para viajantes da alvorada
Pés que ligeiros escolhem viver na miragem.

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

PENSATAS


Pensar é arte da razão
É sapiência de entonação
Vasto mundo de encarnação
Vislumbres da insatisfação.

Pensar é relacionar sapiens
É destronar paradigmas de marquês
Reconfigura certezas chames
Descortina o que temes.

Pensar é para poucos aventureiros
É jornada dos contraditórios costureiros
Dúvida emancipada nos outeiros
Passos vacilantes para blogueiros.

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

LÁ


Todos buscam chegar lá
Mas, lá não quer ficar
Lá é distante demais de cá.

Caminhar, correr, voar
Tudo para chegar lá
Perder, chorar, machucar
Nada adianta chegar lá.

Lá, cá, tanto faz
Se o coração não for junto
Não há destino que se satisfaz.

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

ACIMA DO NOME


Acima do nome
Um pedido de codinome
Um reflexo do ser que me consome
Vislumbres de um possível sobrenome

Uns não enxergam a essência
Outros preferem não ver a abrangência
Há ainda os que ignoram a advertência
Poucos olham acima do nome, ali há reticências

Plural no nome
Plural no sinal gráfico sobre o nome
Afinal, é plural ser Vinicius
É por isto que há reticências ali

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

TEMPO


Tempo,
Professor da vida
Amigo da paciência
Companheiro das mudanças

Tempo,
Cantor do sarau desconhecido
Compositor da sinfonia da expectativa
Partitura do incerto

Tempo,
Quando penso que aprendi com ele
Logo descubro que não tive tempo de entender
E distante fico a assistir os seus tempos

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

TEOREMA DE PITÁGORAS


Existe o triângulo retângulo
Com o quadrado do comprimento da hipotenusa,
É igual à soma dos quadrados
Dos comprimentos dos catetos
Chamado teorema de Pitágoras

Existe a pessoa sem ângulo
Com paixão difusa,
É semelhante aos enjaulados
Dos cantos fazem seus intentos
Chamado teorema dos “agoras”

Existe o texto arbúsculo
Com ramificações linguísticas da pausa,
É variável em seus emaranhados
Dos diversos rabiscos cumpre os alfabetos
Chamado teorema de têmporas

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]