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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

RESPOSTAS


As respostas não mais respondem as questões
Talvez, porque as respostas não sejam suficientes
Ou que sabe, as perguntas não sejam aceitáveis.
A busca se expandiu até os limiares das interrogações
Substituindo as afirmações tão retoricamente elaboradas.

Seria possível responder as questões
Se ao menos pudéssemos saber o que realmente se pergunta
Assim poderia inventar respostas afirmativas, conclusivas.
Afinal, repostas são apenas dizerem para acalmar as dúvidas
São construções racionais para uma geração empobrecida.

Bem queria eu ter as respostas, mas a mim coube às perguntas
Cheias de interrogações inquietantes e confortantes
Transtornos de uma vida rotineira, acomodada, utópica.
Pergunto-me se haveria respostas para minhas indagações
Mas lamento! Minhas questões não suplicam respostas.

Para que, então, haver respostas para um convívio distante?
Se ao menos pudesse tatear as aspirações ensurdecidas
Dali poderia encontrar as repostas que me fariam perguntar.
Perguntar não responde. Nem responder provoca perguntas.
São respostas autoritativas para perguntas inconclusas.

Ainda busco respostas!

Mas agora fico a esperar as perguntas.

Para, então, te responder...

[por Vinicius Seabra | escrito no outono de 2015]

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

IGUAL


Igual é tudo aquilo que não se difere
Diferente é saber que tudo é muito igual.

Vãs repetições de canções distantes
Meros anões no pedestal do presente.

Para onde vamos não precisamos ser parecidos
Não carece de sermos disformes.

Apenas necessita ser
Igual a você, diferente!

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

segunda-feira, 21 de abril de 2014

DESPREZÍVEL


Nas margens da aparência ele se esconde
Dentro dos risos ele se destaca
Nas trevas ele não precisa fingir ser
Distante ele é tão feliz
Nas conversas ele é hábil aprendiz
Quem é você?

Na vida ele se envolve
Caminhos tortuosos ele sempre desvia
No silêncio ele escuta a si mesmo
Amigo de todos ele é, mesmo sem saber
Tudo ele faz para nada contender
Quem é você?

Desprezível ser que a todos conduz
Que nunca se olha no espelho
Previsível ser desprezível.

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

ONDE NOS PERDEMOS


De tanto olhar para frente nos perdemos
Melhor seria caminhar com olhos para trás
Construir uma história de dividendos
Amarrar sonhos que nos traz

No caminho desgastamos nossas histórias
Percursos com percalços de ser transitório
Queria ter mais autorias
Quem sabe assim seria menos alienatório

Perdido me achei quando não mais procurei
Achei-me perdido quando não mais encontrei
Procurei me encontrar quando achei que estava perdido
E de tanto ficar perdido acho que me encontrei contido

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

FOMOS FELIZES - UMA BUSCA POR MEMÓRIAS



Lembranças... Memórias... Recordações...

Algumas destas são alegrias atemporais e me fazem sorrir despretensiosamente. Ironicamente, outras tantas, persistem em eternizar no meu coração o pesadelo de não poder mudar o passado. Quisera eu ter o comando de minhas memórias e, então, organiza-las e cataloga-las nas prateleiras da vida. Mas, lembranças são indomáveis – não são domesticadas pela academicidade, nem são pacificadas pela maturidade e não são adestradas pela racionalidade.

Lembranças selvagens! Desbravam as minhas cercas limitadoras e causam uma eufórica confusão existencial, não respeitam os delicados recomeços que desafortunadamente dependem do vazio para reconstruir novos passos. Memórias perversas! Despem as minhas tristezas e invadem minha alma convidando-me a dançar, não reverenciam as lágrimas que lavam os sorrisos escondidos tão inofensivamente encorajadores.

O tempo e a memória se enamoram no palco da história. Quanto mais se aproximam mais o tempo mostra o quanto nossas memórias são frágeis. Estas são relances de vida que pouco a pouco vão se desfazendo, provando que o tempo, tristemente, sempre vence. Deste romance entre o tempo e as lembranças somos severamente roubados de nossas recordações de infância, onde sorrisos não precisavam ter causa, onde brincadeiras não precisavam ter lógica, onde estar perto era o suficiente, onde palavras impronunciáveis traduziam esperanças, onde sonos simbolizam paz, onde um olhar resplandecia segurança, onde rabiscos eram belas obras de arte... oh! tempo maldito! O que fizeste destas minhas pequenas lembranças? Onde as escondeu?

...sei que fomos felizes.

O tempo não foi capaz de construir suas próprias lembranças, pois para recordar é preciso ter vivo, e não apenas ter tido tempo. Talvez, por esta razão, tenha seduzido as lembranças dos viventes e roubado destes o bem mais inestimável, as primícias recordáveis. Confesso que fiquei muito tempo tentando lembrar, mas tenho que reconhecer, elas se foram... Nunca mais as encontrarei. Voltar agora é infantilizar-se, tempo que não nos torna à infância. O que sobrou foram apenas relances imaginários do que se foi. Oh! Tempo miserável! O que fizeste de minhas primeiras memórias?

...sei que fomos felizes. 

[por Vinicius Seabra | escrito no inverno de 2013]

terça-feira, 17 de setembro de 2013

VIDAS PLACEBAS



Ser ou não ser? 
Prefiro parecer! 
Fingir ser o que todos querem ser 
Fotografar o meu ter, 
Postar sorrisos de querer, 
Esconder feridas que ninguém vê

Ser ou não ser?
Desta questão quero me abster!
Os nobres querem amadurecer
Os plebeus só sabem enlouquecer
Os espectadores julgam saber
Os poetas precisam alvorecer

Ser ou não ser?
Afinal, quem quer saber?
Só preciso viver
Ser quem sou sem me conter
Caminhar com estigmas de ser
Não ter que fingir não ser 

[por Vinicius Seabra | escrito no inverno de 2013]

segunda-feira, 29 de julho de 2013

DÚVIDAS CERTAS


Se cheiro pode ser azedo 
E o silêncio pode dizer mais que palavras 
Por que, então, não sentir o gosto de água insípida 
Para que ser inodor e incolor para as dúvidas? 

Se penso para existir
E se estudo para saber que não saberei muita coisa
Por que, então, não andar mais devagar
Para que chegar mais rápido no futuro inerte?

Se escrever exige ser erudito
E o poetizar implica em tornar abstrato o dito
Por que, então, complicar tanto o que será lido
Para que distanciar tantos sonhos de seus sonhadores? 

[por Vinicius Seabra | escrito no verão de 2013]